Dialética do Corpo e Espaço | 2014

Ano: 2014
Local: II Mostra de Arte Performática do SESC Paço de Liberdade. Curitiba, Brasil
Duração: 1 hour

Ano: 2014
Local: II Mostra de Arte Performática do SESC Paço de Liberdade. Curitiba, Brasil
Duração: 1 hour

  • Descrição

  • Sobre

No início da escadaria do prédio do Paço da Liberdade encontra-se um grande saco de espuma contendo 57 placas de espuma e 57 novelos de lã. Tiro do saco uma placa de espuma e, com um novelo de lã, amarro-o na sola do meu pé. Subo o primeiro degrau da escada e coloco o novelo no degrau. Tiro outra placa de espuma, outro novelo de lã, amarro-o no meu outro pé e subo, carregando o saco, mais um degrau, colocando no novelo no degrau. Para cada degrau que subo, tiro uma placa de espuma e um novelo do saco, amarrando no meu corpo e soltando o novelo em cada degrau. Até o segundo andar do prédio são 56 degraus. Subo cada degrau completando exatamente essa ação. Próximo ao segundo andar, faltando poucos degraus, não consigo mais amarrar as placas, e todos os novelos viraram um grande emaranhado de fios. Pego o saco, visto sobre minha cabeça e subo até o segundo andar. Por conta dos novelos deixados para trás, fico preso à escada. Começo a me movimentar para dar uma volta por trás dela. Quando não consigo mais me movimentar, arrebendo alguns fios de lã presos ao corpo. Quando consigo dar a volta por trás da escada, tiro do meu bolso uma tesoura e começo a descer, dessa vez cortando os fios a cada degrau que desço. Quando chego ao primeiro degrau do térreo, onde começou a performance, corto o último fio de lã, que prende a última placa de espuma ao meu corpo, finalizando a performance.

Esta performance foi criada especialmente para o prédio do Sesc Paço da Liberdade. Por ser um prédio histórico e tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, há diversas regras e limites que impossibilitam a execução de performance com os mais variados materiais, por exemplo, água, tinta, pó etc. Este trabalho surgiu exatamente por essa questão, a essa limitação comum em espaços tombados. Pensando em uma ação que ‘protegesse’ o espaço, trabalhei com materiais que não agredissem o mesmo, ou seja, espuma e lã. As cores dos novelos de lã foram retiradas das cores presentes no prédio. 

Como em outros trabalhos, a teleologia da ação aparece como base do trabalho e o fim visado (télos) cada vez mais difícil de ser alcançado conforme desenvolvo a minha ação. Contudo, a ação ganha um novo sentido aqui, um sentido que relaciona meu corpo ao espaço. É a ação que constrói a dialética entre corpo e espaço. 

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