Contínuo | 2014

Ano: 2014
Local: Independência: quem troca? Casa Hoffman – Curitiba, Brasil
Duração: 1 hora

Ano: 2014
Local: Independência: quem troca? Casa Hoffman – Curitiba, Brasil
Duração: 1 hora

  • Descrição

  • Sobre

Há uma mesa e uma cadeira no espaço. Entro carregando uma caixa e uma bolsa até a mesa. Abro a caixa e tiro uma resma de papel. Abro a resma na perna, tiro as folhas e coloco-as sobre a mesa. Da bolsa tiro fita adesiva, tesoura e fita dupla-face. Começo colando uma extremidade de cada folha a outra, alongando o tamanho das folhas. Paro de colar as páginas, tiro da caixa uma máquina de datilografar e coloco-a numa ponta da mesa. Também tiro da caixa um rolo de amassar pão e fixo-o na outra ponta da mesa. Passo a folha de papel alongado pela máquina de datilografar e pelo rolo de amassar pão. Fixo um lado da folha à outra, criando uma folha contínua que passa pela máquina de datilografar e pelo rolo. Retiro da minha bolsa um jornal popular do dia, sento-me diante da máquina de datilografar e começo transcrever as notícias. Por conta da fixação do rolo, o papel não acompanha o motor da máquina de escrever, sendo necessário sempre movimentá-la para conseguir agir. Após meia página escrita, corto a folha de papel no meio de todo o escrito e, com uma fita adesiva, colo-a na porta externa do local.

O nome contínuo faz duas alusões: primeiramente, à continuidade possível da escrita pela máquina de escrever, em que o escrever pode se tornar um sobrescrever, uma continuidade de uma escrita sem a necessidade de parar para trocar a folha. A outra alusão refere-se à profissão Contínuo, ou o comumente usado termo office-boy. Praticamente todas as ações que desenvolvo nessa performance aprendi quando fui contínuo, com exceção da técnica datilográfica, que é anterior. 

A prática, que já apareceu em Jogando Xadrez, volta ao meu trabalho, mas agora relacionada a uma profissão e de maneira mais complexa. Diferentemente de O Datilógrafo, a prática datilográfica entra neste trabalho como uma profissão técnica, quase extinta, de alguém que simplesmente transcrevia por meio da máquina um texto. Uma prática que não exige o pensar, mas simplesmente o copiar ou, como o termo sugere em inglês, “copy typist”.

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