Amálgama | 2016

Ano: 2016
Local: Diretriz Arte Contemporânea – Curitiba, Brazil
Duração: 1 hora

Ano: 2016
Local: Diretriz Arte Contemporânea – Curitiba, Brazil
Duração: 1 hora

  • Descrição

  • Sobre a performance

Chego na galeria com uma grande mala de viagem. Abro-a e tiro uma banqueta pequena. Depois tiro uma folha de papel manteiga e forro o chão. Sento na cadeira, tiro uma bacia branca, um pedaço de cera de abelha e um ralador. Com a bacia em meu colo começa a ralar a cera na bacia. Quando um dos lados da pedra de cera fica liso, começo a ralar outro lado. Faço essa ação até conseguir deixar todos os lados retos, com poucas imperfeições. Coloco a cera no papel manteiga e retiro da mala uma extensão elétrica com um bocal de lâmpada na ponta. Após ligar a extensão na energia, retiro uma lâmpada de grande potência da mala e a ligo na extensão. Em pé, com a bacia logo abaixo de mim, pego um pequeno monte de cera de abelha ralada e com a outra mão seguro a extensão com a lâmpada colocando-a sobre a cera. Com o calor da lâmpada, o monte ralado derrete em minha mão, escorrendo cera líquida entre meus dedos e caindo da bacia. Após derreter quase toda a cera, eu levo a mão em meu rosto esfregando o que sobrou em minha face e finalizando a performance.

Quando a galeria Diretriz Arte Contemporânea me convidou para fazer uma performance em seu espaço trouxe-me questões sobre a limitação do espaço. A galeria fica dentro de um shopping de Curitiba e devido a isso possui diversas regras do shopping. Por exemplo, não é possível fazer barulho, nem usar fogo, nem destruir algo, nem sujar o chão etc. Digamos que meu campo de ação estava um pouco limitado.

Então, criei Amálgama, uma performance que aparentemente era contida e que se adequava aos limites exigidos do espaço. Assim como diversos dos meus trabalhos recentes, trabalhei com uma mala contendo todo o material e que só é revelado na hora da ação. A escolha da cera de abelha deve-se a sua natureza, dura e rígida como o espaço mas que pode ser volátil conforme o seu uso. Outro motivo foi o cheiro, elemento que já tinha trabalhado na performance Eu Prometo de 2011. Para mim, o manipular a cera de abelha era também manipular o espaço, mostrar como é possível mudar sua forma, ampliar suas possibilidades. Com a não possibilidade de se trabalhar com fogo, resolvi trabalhar com uma lâmpada de alta potência e que emanava calor suficiente para derreter a cera ralada. Mais do que mudar somente a matéria, eu alterava a sensação no espaço com o cheiro que surgia ao derreter a cera.

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