Dia-a-dia
um diário da performance Distentio Anime no espaço Goethe na Vila.

Cada Vez Mais Perto | Dias 2 e 3

Já começo com um combo dos dias 2 e 3 da performance. Em vários sentidos foram dias diferentes do primeiro, assim como diferentes entre si.

No segundo dia de performance estive sozinho no espaço. Matheus veio abrir a porta. Ele é responsável por abrir e fechar a porta todos os dias assim como a manutenção de outros espaços da exposição. Após ele sair no início da tarde, só o fui ver no fim do dia. No mais, fiquei sozinho tocando meu trabalho.

Foi bom para entender um pouco como vai ser o ritmo que vou empreender. Ter uma idéia de produção que não seja baixa mas também que não seja alta demais, de modo que tome todo meu tempo. Quero produzir tijolos assim como quero pensar o espaço e o labirinto. 

O segundo dia foi um típico dia curitibano, chuvoso, escuro, úmido. Umas 16h30 parecia já ter anoitecido, as luzes dos carros que passavam pela Cruz Machado entravam no espaço. Já as pessoas passavam. Muitas paravam na vitrine para ver o que eu estava produzindo, mas nunca entravam. Um senhor chegou a entrar, curioso em saber se os tijolos eram de gesso. Ficou meio decepcionado quando contei que aquilo era um trabalho de arte, ele achava que eu estava fazendo a demonstração de algum produto comercial novo no mercado.

Já o terceiro dia, um pouco mais frio e com sol, foi extremamente agradável. Durante a tarde tive a companhia da Marina, que faz parte do educativo da Exposição Cada Vez Mais Perto. De início, comecei com minha produção de tijolos enquanto Marina pegava o livro do Santo Agostinho para dar uma lida. Entre tijolos e lidas, algum bate papo, conversa. Marina mesmo saía e conversava com o pessoal da rua. E eu concentrado em produzir e organizar o ritmo de trabalho. Inclusive comecei fazendo tijolos antes de fazer o café, tudo para que enquanto seca a primeira leva de tijolos eu faço o café e levo outros tijolos para a galeria. Ou seja, tentando otimizar o tempo e fazer render os trabalhos. 

Em um dado momento perguntei se Marina gostaria de fazer tijolos. No que sinalizou que sim, indiquei onde estava outro macacão. Após ela se vestir eu expliquei como se produzia. Fiz um pouco menos do que estou acostumado mas devido ao peso que fica o balde. Enquanto ela produzia tijolos, aproveitei para levar mais tijolos para a galeria. Logo chegou a curadora Ana Rocha e uma equipe de TV. Não fui filmado produzindo tijolos, mas pelo menos fui filmado levantando paredes.

Ainda estou organizando o fluxo e ritmo de trabalho. Tendo noção que haverá dias que produzirei mais enquanto outros menos. Ou farei mais tijolos, ou farei mais paredes. Mas agora algumas idéias  do labirinto já estão surgindo. 

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Foto de Fernando Ribeiro

Fernando Ribeiro

Artista da performance e curador, vive e trabalha em Curitiba, Brasil. Ribeiro se destaca como um dos principais artistas da performance do Sul do país. Sua trajetória conta com mais de 17 anos dedicados a performance art, tendo participado de diversos eventos nacionais e internacionais. Também atua como curador de performance na p.ARTE e Bienal de Curitiba.