Dia-a-dia
um diário da performance Distentio Anime no espaço Goethe na Vila.

Dia 1 | Quando tudo começa

Começar algo no mundo sempre é difícil, assim como finalizá-lo também o é. Seja um texto, uma pintura, qualquer obra. O mesmo é com a performance. E no caso de performance duracional, este início é mais difícil ainda de definir. Pois o trabalho começa antes com os preparativos e também não começa, pois fica a expectativa para o seu real início.

Antes do primeiro dia, houve o dia Zero. Um primeiro momento para chegar e conhecer a casa, fazer a reunião com o pessoal da casa, por mim, me ambientar do lugar. Era também o dia para produção, por exemplo, chegar o gesso em pó. Mas como trata-se de performance art, claro que o jogo com o acaso não podia deixar de existir e claro que o gesso não foi entregue. Mas o bom é que a Luzinha, minha produtora neste projeto, conseguiu dar um jeito para poder começar a performance. 

E bem no fim, no dia zero já comecei os testes e produzi 18 tijolos. Mas a expectativa ainda estava pelo dia seguinte.


Pois bem, o dia 1 iniciou e com ele toda uma expectativa e reflexões sobre organização. Desde de que horas que vou acordar até o horário do ônibus que vou pegar. Ao chegar na casa, o que vou fazer em um segundo momento (considerando que o primeiro momento é passar o café)? 

Tenho pensado muito na Rubiane Maia com o seu Jardim, que fez parte da exposição Terra Comunal. Assim como ela, também estou aprendendo como vou fazer, como vou trabalhar. Talvez a diferença esteja na rotina. Eu preciso organizar uma rotina de trabalho, traçar metas e tudo o mais. Antes eu não conseguia fazer isso, pois tinha a simples idéia que a performance se resumiria a fazer tijolos e levantar paredes. Pois a partir de agora vou descobrindo quantos estudos são necessários entre o produzir tijolos e o levantar paredes. Ou mesmo como produzir, a quantidade de água, a quantidade de gesso.

E mesmo atualizar o meu diário. Propus a mim mesmo vir aqui e escrever um “dia-a-dia”. Contudo, não tinha contabilizado o quão cansado estaria após um dia de performance. Ou seja, impossível escrever após. Então tenho que escrever enquanto estou aqui. Mais uma ação para a performance, mais algo a ser adicionado a lista de fazeres diários.

Ou seja, muito a organizar.

Bem, reflexões a parte, o dia rendeu bastante. Consegui mais uma parte da produção, receber o gesso em pó, produzir tijolos, fazer uns testes de parede.

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Foto de Fernando Ribeiro

Fernando Ribeiro

Artista da performance e curador, vive e trabalha em Curitiba, Brasil. Ribeiro se destaca como um dos principais artistas da performance do Sul do país. Sua trajetória conta com mais de 17 anos dedicados a performance art, tendo participado de diversos eventos nacionais e internacionais. Também atua como curador de performance na p.ARTE e Bienal de Curitiba.