Dia-a-dia
um diário da performance Distentio Anime no espaço Goethe na Vila.

Últimos dias da Vila

A previsão era para eu atualizar este diário no mesmo dia, mas como as últimas semanas de performance foram bem puxadas somente agora estou conseguindo escrever.

O que dizer dos últimos dias da performance na Vila Itororó? Foram intensos, sem dúvidas.

As últimas visitas a Vila Itororó e a minha performance foram ótimas. Como o labirinto estava praticamente pronto, as pessoas chegavam e se perdiam. Apesar das paredes baixas, o labirinto funcionou perfeitamente exigindo das pessoas que percorressem os corredores, procurassem uma saída. Foi bem interessante a relação que as pessoas criavam com o espaço totalmente recordado, reconstruído.

E nos últimos dias houve também as despedidas. Com a vivência dia-a-dia, a presença, a relação não se cria somente com o espaço mas com as pessoas que ali convivem, trabalham etc. Foi um sentimento parecido com o fim do O Datilógrafo, na Terra Comunal. Se bem que não terminou tudo no dia 26, último dia de performance. Eu ainda estaria presente na semana seguinte para limpar o espaço e entregar a casa. E aí começou outra estória.

Bem, como todos já devem saber hoje, continuo a performance Distentio Anime em Curitiba, dentro da exposição Cada Vez Mais Perto. E para que houvesse essa continuação, os tijolos precisavam ser enviados para Curitiba. É da natureza da performance art o jogo com o acaso. E aqui o acaso se materializou na greve dos Caminhoneiros. Terminar a performance em São Paulo foi um misto de pós-produção e pré-produção, de pensar como iria fazer para enviar os tijolos sendo que nenhum caminhão se movimentava pelas estrada. E dia 29 de maio, terça-feira, eu tinha que entregar o Espaço Goethe na Vila limpo.

Após muitas negociações e acertos entre Curitiba e São Paulo, no dia 28 desmontamos o labirinto e guardamos os tijolos na frente do Espaço Goethe na Vila. Ficou acertado que dia 1º de junho iríamos carregar o caminhão — já que a greve estava chegando ao fim. Com esse acerto, deu tudo certo e no dia 1º o caminhão estava a caminho de Curitiba com os tijolos. E mais tarde eu também. 

E agora, uma nova jornada começa. A performance continua em Curitiba: velhos tijolos, novos tijolos e um novo labirinto. Ah, sim! E o clássico cafezinho.

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Foto de Fernando Ribeiro

Fernando Ribeiro

Artista da performance e curador, vive e trabalha em Curitiba, Brasil. Ribeiro se destaca como um dos principais artistas da performance do Sul do país. Sua trajetória conta com mais de 17 anos dedicados a performance art, tendo participado de diversos eventos nacionais e internacionais. Também atua como curador de performance na p.ARTE e Bienal de Curitiba.